Minha autoridade aqui não é a advocacia, é a vivência: fui a criança que ficou longe da mãe por falta de estrutura, e a mãe que criou duas filhas muitas vezes sem rede de apoio.
Mais de 33 mil crianças de até 6 anos foram registradas sem o nome do pai em Goiás desde 2020. A maioria das famílias que dependem de uma só pessoa é formada por mães e filhos.
Fonte: Portal da Transparência do Registro Civil.O cenário fica mais grave quando a rede de apoio falha de outras formas: só até novembro de 2025, Goiás já somava 55.689 processos de violência contra a mulher, mais do que todo o ano de 2024, com 316 feminicídios ou tentativas registrados no ano.
Fonte: CNJ (Painel de Violência Contra a Mulher) e Laboratório de Estudos de Feminicídios (UEL).O programa Mães de Goiás paga cerca de R$ 300 por mês a aproximadamente 90 mil mães. É renda, e ajuda, mas não cria vaga de creche nem qualifica a mãe.
Isso não significa que nada avançou: em 2025, Goiás bateu recorde histórico de mulheres empregadas, com crescimento mais que o dobro da média nacional. O problema não é falta de disposição para trabalhar: é falta de estrutura para conciliar trabalho e cuidado dos filhos.
Fonte: PNAD Contínua, IBGE.Cursos profissionalizantes para mães, com contraturno educativo para os filhos no mesmo espaço, por emenda impositiva e convênio, mais projeto de lei que torne o programa permanente.
Emenda para construir, reformar e equipar creches em convênio com municípios, com fiscalização do dinheiro e cobrança de um plano estadual com metas.
O economista James Heckman, Nobel de Economia, mostrou que cada real investido no desenvolvimento de crianças de 0 a 5 anos retorna o equivalente a seis reais na vida adulta, mais do que qualquer outra fase de investimento educacional.
Fonte: J. Heckman, "The Heckman Equation" (Universidade de Chicago).Salas de recursos, profissionais de apoio, diagnóstico precoce e capacitação de professores.
Microcrédito e capacitação para o empreendedorismo feminino, e rede de acolhimento para quem recomeça. Goiás já tem base para isso: mulheres lideram 44% das empresas ativas no Estado, e o número de microempreendedoras individuais mais que quintuplicou em dez anos.
Fonte: Sebrae Goiás.